Irã indica que ataques a bases dos EUA podem continuar

O comandante da Força Aérea da Guarda Revolucionária Iraniana (GRI), Amir Ali Hajizadeh, retomou as ameaças de seu país aos Estados Unidos ao declarar nesta quinta-feira, 9, que o ataque há dois dias contra bases americanas no Iraque foi apenas a primeira de uma série de ações. Hajizadeh apresentava os detalhes da retaliação de Teerã contra os Estados Unidos pela morte do general Qasem Soleimani quando disparou as novas ameaças. 

Citado pela agência estatal de notícias Mehr, Hajizadeh disse que os ataques de mísseis na contra “uma das mais importantes bases americanas foram o início de uma operação maior que continuará por toda a região”. O general concluiu que o objetivo de Teerã ao realizar a operação não era o de matar, mas “acertar a máquina de guerra do inimigo”.

A imprensa iraniana clama que cerca de 80 pessoas foram mortas e dezenas ficaram feridas na base aérea de Asad, mas tanto os Estados Unidos quanto o governo iraquiano negam ter havido vítimas. Ao detalhar o plano de retaliação, Hajizadeh disse que o país estava preparado para disparar centenas de mísseis caso os Estados Unidos resolvessem revidar, o que não aconteceu.

Nos dias que se seguiram à morte de Soleimani, o presidente americano Donald Trump ameaçou Teerã de que caso houvesse uma retaliação pelo assassinato do general, Washington lançaria uma tréplica em 52 alvos iranianos (dentre eles, sítios arqueológicos e culturais considerados patrimônios da humanidade). Mas a resposta de Trump após o ataque se resumiu ao anúncio de novas sanções e de que os Estados Unidos estariam preparados para negociar um novo acordo nuclear.

Os Estados Unidos acusavam Soleimani de planejar ataques por meio de grupos xiitas contra as forças diplomáticas e militares americanas na região, como o ataque contra o aeroporto internacional de Bagdá, que vitimou um civil americano, e a invasão à embaixada na zona verde da capital iraquiana, em dezembro de 2019.

A tensão entre Teerã e Washington voltou a escalar em 2018, quando Trump decidiu sair unilateralmente do acordo nuclear firmado entre os dois países e mais cinco potências atômicas em 2015. Desde então, os Estados Unidos retomaram as sanções econômicas pré-acordo e estabeleceram novas restrições econômicas ao país.

Recentemente, três episódios quase levaram os dois países ao conflito direto — sendo a morte de Soleimani e o revide iraniano os que mais expuseram ambos à guerra. Antes, houve a crise dos petroleiros no Golfo Pérsico, com o abate de um drone americano pela Guarda Revolucionária em junho, e o ataque às refinarias da estatal saudita Aramco pelos rebeldes xiitas houthis em setembro de 2019.

Fonte:
https://veja.abril.com.br/mundo/ira-indica-que-ataques-a-bases-dos-eua-podem-continuar/