A reabertura de Trump: leve, descentralizada, sem pressão

Pode ser bom viver num país de dimensões continentais, onde realidades regionais diferentes para o bem e para o mal (precisa falar o nome dele?) ditam o ritmo gradual, vigiado – e prolongado – da reabertura da economia.

Depois de dias explosivos que pareciam caminhar para um confronto constitucional, ou coisa pior, entre presidente e governadores, Donald Trump sacou da sua eterna caixinha de surpresas um programa regionalizado de retomada em três fases.

“Alguns estados vão poder reabrir antes do que outros. Alguns não têm os problemas que outros têm”, disse ao anunciar a proposta de reabertura em camadas.

A primeira condição, já é conhecida: 14 dias seguidos de queda nos números horríveis que passaram a comandar nossas vidas. As quedas propiciam a administração das vagas hospitalares e a projeção de sua capacidade de atendimento em UTIs em caso de retrocesso. 

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Tudo acompanhado por testes, obviamente. Para tudo, inclusive de assintomáticos.

Dá para copiar? Não sem os recursos previstos. Mas é um guia razoável, equilibrado e cuidadoso, que pode ser adaptado.

As três fases podem ser assim resumidas:

1 – Mesmo dentro de casa, os mais vulneráveis devem ser isolados, pois a volta ao trabalho ou à circulação mais livre de uma parte da família aumenta o risco.

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Retorno ao trabalho em fases, sempre que possível, com incentivo para quem pode continuar produzindo em casa. Áreas comuns que não são para as atividades específicas são fechadas ou mantidas sob estrito distanciamento social.

Distanciamento social continua em áreas públicas, aglomerações de mais de dez pessoas continuam desaconselhadas.

Também as escolas continuam fechadas. Restaurantes, academias, cinemas e espaços religiosos reabrem quando mantidas as distâncias necessárias entre frequentadores.

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2 – Transposto o “portal” dos 14 dias sem repique, as precauções acima continuam, mas a reunião de até 50 pessoas passa a ser permitida, assim como viagens não-essenciais.

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As escolas reabrem. E os bares também, desde que tenham condições de manter as distâncias recomendadas entre frequentadores.

3 – Outro “portal” precisa sem transposto. A partir daí, os locais de trabalho passam a funcionar de maneira mais próxima do normal.

Idosos e vulneráveis, que continuaram trancados esse tempo todo, retomam interações públicas com todas as cautelas de distanciamento e proteção.

Diminui o distanciamento em academias de ginástica e bares.

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Será o mais próximo do normal possível, considerando-se todas as anormalidades criadas pela epidemia.

As medidas “não são irracionais”, concedeu Joe Biden, o quase certo candidato democrata na eleição presidencial de novembro, que , com 77 anos, continua trancado em seu bunker doméstico, um porão adaptado.

“Mas faltam orientações estritas”, reclamou. “Foi mais uma sinalização.”

É claro que, se fosse o contrário, Biden também criticaria. Assim funciona a política, com ou sem epidemia.

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Antes de anunciar o plano, Trump recebeu caminhoneiros na entrada da Casa Branca, louvou os valentes das estradas e deu de presente uma chave dourada, considerada inexplicável, embora muito bem recebida pelos homenageados.

Depois, anunciou: “Estamos iniciando o rejuvenescimento de nossa economia de maneira segura, estruturada e muito responsável”.

Parece incrível, mas há motivos para acreditar que acertou. Pelo menos no discurso.

Fonte:
https://veja.abril.com.br/blog/mundialista/a-reabertura-de-trump-leve-descentralizada-sem-pressao/